domingo, 30 de agosto de 2009

Morri


Eu poderia fazer um post todo entre aspas, com aqueles jargões que todo mundo têm, sabe? Só para homenagear cada um dos meus amigos. E então eu poderia, daqui por diante, escrever todos os post entre aspas, com as frases da balada do dia anterior. E então eu escreveria um livro sobre minha vida, todo entre aspas... porque minha vida é assim: feita dos pedacinhos das pessoas que me são caras.


Mas legal mesmo seria se além das frases, neste livro, coubessem os gestos, o tom de voz, o jeito de andar, o cheiro...


É claro que eu citaria também aqueles escritores famosos, com suas frases clássicas e profundas, só para destacar ainda mais as pequenas besteiras que me fizeram rir até doer a barriga, besteiras essas que por vezes parecem muito mais clássicas e profundas, depois de uma noite de vômitos e ressaca... e a certeza em qualquer lugar do mundo estou bem servida de anjos da guarda.


A última semana foi assim: Coquetel Molotov. De repente o mundo parece uma Montanha-Russa, com frio na barriga e tudo mais. O amontoado de sensações: desespero, medo, ansiedade, saudade (no caso da montanha russa a saudade é a da primeira descida, no meu caso, Rss).


Esses últimos dias têm sido extremamente especiais.


Seja em um livro, um bóton, um telefonema de madrugada, uma blusinha, um chaveironho, um email ou aquele abraço sincero... Recebi tantas provas de carinho... uma verdadeira massagem tailandesa para o ego...


Não só dos “Londoners”... os meus Brasileiros, queridos, que tanto me apoiaram e vibraram a cada vitória. Os Brasileiros do Brasil que ignoraram meus descaso com a Pátria amada e não se ofenderam com a incessante angústia do retorno. Brasileiros esses dos quais eu me lembrava todo dia. Todo dia! Assim como lembrarei dos Brasileiros “de Londres”: todo dia!

Se saudade é algo triste... uma das maiores alegrias que você pode ter é quando alguém te olha e você tem certeza que onde quer que você esteja, nada vai mudar. “O essencial é invisível aos olhos.”

De Londres ficam as lembranças. Os amigos. A certeza de que valeu a pena. E, inevitavelmente, a Saudade.



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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

The Last one from London!

Nos ultimos meses a única cosia que eu não queria era escrever esse post. O último de uma das melhores temporadas da minha vida!


Nesses 205 dias eu morei com mais de 25 pessoas diferentes, de todos os lugares do Brasil. E até de fora. Viajei por 20 cidades em 12 países. 7 línguas diferentes. Adicionei 55 amigos internacionais no facebook, a maioria oriunda dos “Pubs Crawl” da vida. Trabalhei com mais de 30 pessoas, de mais de 10 países diferentes.


Eu sei que muita gente viajou bem mais do que eu, conheceu mais gente e pode ter aprendido muito mais também. Mas o que eu vivi foi único e especial para mim. E só para mim. E é isso o que importa.


Estatísticas a parte, em todo esse tempo é impossivel dizer tudo o que vivi... Quanta coisa eu aprendi, quantas pessoas eu conheci, quantos rostos, quantas etnias, quanta cultura, quanta diversão eu tive. Quantos amigos, quanto carinho criado, quanta paciência (des)encontrada. Quanta saudade eu senti, quantos sorrisos partilhei e quantas lágrimas ajudei a secar. Quanta cerveja eu bebi. Quantos lugares, idiomas e tradições. Quanta religião, quanta fé. Quanto preconceito perdi. Quantos conceitos eu criei. Quanta paz encontrei onde jamais julguei ser possível. Quanto calor humano, quanta afeição. Quanta lição de vida! Quanta!


É impossível dizer. Impossível. Mas tenho a certeza que muito mais do que qualquer foto possa explicar essas lembranças ficarão guardadas dentro de mim... em meu pensamento e – sobretudo – no meu coração.


No mínimo aprendi lidar melhor com situações definitivas. Eu acho. Veremos amanhã, no aeroporto.


Não existiria hora melhor para esta viagem em minha vida, disso estou certa. Ela me fez ver que o Brasil também tem muitas coisas boas, além da minha família.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

A viagem

Minhas últimas 4 semanas foram assim:


Primeiro Estágio: Negação e Isolamento
A Negação e o Isolamento são mecanismos de defesas temporários do Ego contra a dor psíquica diante do fato.


Segundo Estágio: Raiva
Os relacionamentos se tornam problemáticos e todo o ambiente é hostilizado pela revolta. Junto com a raiva, também surgem sentimentos de revolta, inveja e ressentimento.


Terceiro Estágio: Barganha
A pessoa implora a todos os Deuses que aceite sua “oferta” em troca da vida, como por exemplo, sua promessa de uma vida dedicada à igreja, aos pobres, à caridade ... Na realidade, a barganha é uma tentativa de adiamento.


Quarto Estágio: Depressão
A Depressão aparece quando a pessoa já não consegue evitar suas condições.
É o sofrimento e a dor psíquica de quem percebe a realidade nua e crua, como ela é realmente, é a consciência plena de que nascemos e morremos sozinhos. Aqui a depressão assume um quadro clínico mais típico e característico; desânimo, desinteresse, apatia, tristeza, choro, etc.


Quinto Estágio: Aceitação
Nesse estágio a pessoa já não experimenta o desespero e nem nega sua realidade. Esse é um momento de repouso e serenidade antes da longa viagem.



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Para quem notou alguma semelhança entre o texto acima e os últimos estágios de um paciente terminal, por favor, sinta o sarcasmo sem julga-lo mórbido demais. Rss


Longe de mim querer comparar a minha volta ao Brasil com a morte. Não é nada disso!


É só uma brincadeira... Porque para quem estava comigo nas últimas 4 semanas me viram passar por 4 dessas fases, e a descrição caberia certinho.

Ah! E as semelhanças não param por aí. O pessoal ainda fica me dizendo: "agente vai se encontrar lá, hein?"...

Claro... quero reencontrar todo mundo lá no outro lado... do oceano, oras! hahahaha


Acabei de entrar no quinto estágio!


Aceitação!



Agora é esperar... a longa viagem! hahahahaha

Afinal de contas, a vida no “outro mundo” é muito boa também. Tem minha família, meus amigos, meus cachorrinhos, meu carro... Aí vou eu!!!

terça-feira, 18 de agosto de 2009

nãoo

eu não quero voltar.........

domingo, 9 de agosto de 2009

Feliz dia dos pais

De acordo com o dicionário Michaelis da língua Portuguesa:

pai
sm (lat patre) 1 Homem que gerou um ou mais filhos em relação a estes; genitor; homem colocado no primeiro grau da linha ascendente de parentesco. 2 Animal macho que gerou outro. 3 Benfeitor, protetor. 4 Criador, fundador. 5 Cacique, morubixaba

O meu pai? Muito mais do que tudo isso.

O meu pai é o herói real. É o exemplo. É aquele que me ensinou a andar de bicicleta e que tentou ensinar a dirigir. É aquele que me levava para o quarto de madrugada quando eu dormia no quarto dele, mesmo com as costas doendo. É aquele que tinha ciúmes da minha saia curta na adolescência. É aquele que ficou uma fera quando me viu bêbada pela primeira vez – e ainda faz algumas ceninhas de vez em quando. É aquele que ficou feliz quando eu entrei na faculdade, mas que ficará feliz mesmo quando eu sair (formada) dela.

É aquele que me ensinou a importância da família e todos os preceitos morais que uma pessoa de valor deve ter. E ele tem.

E não é porque é meu não, mas é melhor que qualquer outro pai do mundo.

Achou que eu tinha esquecido?

Feliz dia dos pais, véio!

Te amo!

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

I did it my way

Desde o primeiro segundo de 2009, debaixo de muita chuva, ao lado das pessoas que mais amo no mundo, eu sabia que este seria um ano glorioso. E até o presente momento nada me desapontou (relativo ao ano, claro!).

Agora mais do que nunca eu queria ter o poder de parar o tempo. E contrair o espaço.

Ele – o tempo – está passando mais rápido do que nunca. As vezes eu ja me imagino no Brasil, tomando uma Brahma. Aí eu paro, me olho: Carlsberg na mão.

Os sentimentos mais confusos que eu ja tive. Parece que a saudade aumenta exponencialmente. Só não sei se é a saudade de lá ou a daqui, que ja começa a bater.

Penso que o Brasil podia ser na Europa. Na verdade podiam trocar o Brasil por Portugal. Já que Portugal não serve pra nada mesmo - só pra fazer gente chata - podiam colocar o estado de São Paulo (e o norte do Paraná) bem alí. Imagina como seria legal?

Brincadeiras a parte... eu ja desisti de escrever um post para cada cidade visitada... Ficaram esses de Paris e Berlin porque escrevi no trem, caminho de Milão para Veneza. E de Veneza para Roma.

Tenho muitas coisas boas a comentar. Cada cidade linda. Mas toda vez que vejo o que escrevi parece tão inferior ao que cada uma merece. E das viagens não são só as cidades, os museus, a história. São as pessoas. As Estórias. E eu sei que muita gente ja viajou muito mais do que eu... mas seria sensacional escrever cada piada ou descrever todos os malucos que eu conheci e que nunca mais verei.

Ah... essa nostalgia de sexta a tarde me deixa (ainda mais) confusa. Caramba!
Esse negócio de situações definitivas demais sempre foi difícil para mim.

Quando saí do Brasil foi (um pouco mais) fácil porque sabia que eu voltaria e ainda que tudo fosse diferente as coisas estariam iguais. Elas estariam lá. A faculdade, minha casa, meus amigos... o que realmente importa estaria sempre me esperando.

Mas e agora? Daqui a exatas 3 semanas, neste horário já estarei sobrevoando o mar mediterrâneo e com o coração mais apertado do que nunca.

Os amigos daqui eu não tenho nem idéia quando verei novamente. O emprego que tive nunca mais terei. A escola, a casa que morei... nunca vão se repetir. É claro que eu sei que o que virá será ainda melhor. Mas eu tenho a sensação de envelhecer rapidamente.

Ah... que medíocre... com 22 anos pensando em envelhecer? Tá. Desculpa.

Só sei que, agora justificando o título do post, “I did it my way”... e se eu pudesse... “erraria tudo exatamente igual”*...

Oh, if there's one thing I hang onto
That gets me thru the night
I ain't gonna do what I don't want to
I'm gonna live my life
Shining like a diamond,
rolling with the dice
Standing on the ledge,
I'll show the wind how to fly
When the world gets in my face
I say...
Have a nice day


That's all...

* Só prestaria mais atenção à minha mochila, em Barcelona... rss

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