Quem me conhece sabe que não sou lá de meio-termos. A intensidade acompanha meus gostos, amizades, rotinas e paixões. Vivo tudo que posso, do sofrimento de amores mal resolvidos às gargalhadas exageradas.
Exagero cabe bem à mim. Quero tudo - e todos - ao mesmo tempo, no mesmo lugar, comigo!
Pode ser muito, mas se não for TUDO, aqui, em mim, não serve... e então, vez em quando, bate o medo e é terrível...
Quando sinto, qualquer sentimento que seja - da raiva ao amor - oceanos e anos não me limitam ... mas aí, vez em quando, vem a insegurança... e é terrível...
Só que também sou imediatista... quando acaba o encanto e perco a vontade é tarde demais... e aí, vez em quando, tem a saudade... e é terrível...
O que não faz bem mantenho longe. Pessoas, principalmente,... e, de repente, vem o instinto... e é terrível...
Por tudo isso, pelo turbilhão de sentimentos acumulados tantos dias longe... pelas lições de vida de um cotidiano tão diferente... pelas amizades tão verdadeiras angariadas em dias de sol e chuva... pelos litros de álcool partilhado em danças charmosas e tombos Homéricos... por toda a felicidade - que pouca não é - e por todas as lágrimas de saudade que ei de chorar em dias sem cores... do que eu era antes de um dia tirar os pés do Brasil ao que eu sou agora e à brisa leve que baterá em meu coração quando lembrar tudo isso em algum tempo, em outras línguas, em várias estradas, em muitas lembranças... por tudo isso e por muito mais, eu afirmo que o meu passado é muito mais do que perfeito. E a minha vida é muito mais simples que a língua portuguesa.
E uso muito o "muito" porque gosto mesmo desse negócio de intensidade! E tenho esse problema com o ponto final...
Eu não gosto de encerramentos.
Porque colocar pontos finais quando existem as vírgulas? Ou as interrogações? Ou as reticências?
Ah! As reticências... como eu gosto delas! e de encerrar textos e capítulos da minha vida com elas...
Porque ainda trazem a idéia de continuidade em um pouco de imaginação...
Claro que eu posso até entender que as mudanças de vez em quando fazem bem... mas essas idéias de guinadas super radicais entre um fim e um começo me aborrecem...
O conformismo me irrita, a simplicidade me completa e a paciência me falta.
Percebi, nesse tempo, que minha loucura por viajar não é para conhecer cidades, tão pouco ver prédios, castelos e afins. Eu, definitivamente, descobri que as pessoas têm em mim muito mais poder do quaisquer construções monumentais... E é por elas toda a minha angústia dos últimos dias...
Porque meu ano 2010 não seria sensacional sem Rachel, Gulsah, Elena, Irene, Julia, Breno, Ozguns e tantas outras nacionalidades dentro de pessoas tão especiais...
Porque minha vida não seria sensacional sem minha família, as meninas de Promissão, os meninos de Sampa, a galera de São Carlos... sem o Wagner, a Elem, Andressinha e tantos outros lá de Londres...
Hoje eu não to conseguindo encadear idéias... então vou deixar tudo assim neste post, bem confuso, como está o meu coração...
"E quando olhei no espelho eu vi meu rosto e já não reconheci,
então vi minha história tão clara em cada marca que estava alí..."
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