Passado pouco mais de um mês desde o regresso à Pátria (amada ?) e depois de muita correria por conta de mudança, documentos, matrículas e etc... eu resolvi postar esse texto...
Os últimos 35 dias eu desejei que meus olhos tirassem fotos e minha mente pudesse guardar tudo o que eu fiz e vi nesse tempo. Não foram os 35 dias mais confortáveis... Nem os mais cheios de grana... Mas foram memoráveis com certeza.
Meus amigos com certeza vão saber de cada história, dos detalhes mais engraçados, ainda que não sinta a mesma emoção que eu, e, eventualmente, não acharão a mesma graça...
O que eu queria mesmo é que eu pudesse guardar cada minutinho de risada histérica só pra daqui algum tempo, nesses dias de baixo-astral que teimam em aparecer, eu recupere em mim aquela paz que só o azul do Adriático pode passar... ou aquele romantismo do pôr do sol mais maravilhoso que eu já vi ou ainda a felicidade de morar na cidade mais bonita do leste Europeu e ter a certeza disso olhando a cidade de cima, toda iluminada, na minha ultima noite por ela.
Os últimos meses foram qualquer coisa entre o muito bom e o excelente. Eu adorei cada um dos meus dias, de chuva ou sol... de Morrison ou Szimpla... de restaurante ou comidinha “by Tesco”. Foram os meses mais felizes dos últimos 283 meses!!!
Esse texto eu escrevi no Aeroporto, enquanto esperava o vôo para Frankfurt, nos meus últimos minutos de Budapeste. Naquele momento, ansiedade era o único sentimento que eu podia sentir. Eu queria chegar logo. Abraçar meus pais e sentir o cheiro de casa, de colo.
Budapeste, naquele momento, já não fazia mais sentido.
Por quê?
De repente aquelas construções seculares já não passavam de simples construções de uma cidade previsível. Faltavam aqueles rostos, que me acompanharam por tantos dias. Faltavam seus sotaques, risadas e jargões.
Mas como seria a volta? Uma nova casa, nova rotina, na cidade que, antes, eu já quase não suportava. Na faculdade que eu quase não suportava. Em um curso que eu, definitivamente, não suportava.
Era como entrar em um pesadelo.
Mas como pode ser um pesadelo se eu tenho tantas coisas boas, que eu amo e não sei como vivi tanto tempo sem? Meus pais, meus irmãos, minha casa confortável e meus amigos daqui que mesmo ficando tanto tempo sem contato e em mundos tão diferentes ainda temos aquelas conversas boas e que me dão a certeza de que eu só tenho o que agradecer a tudo que acontece na minha vida.
O que eu sei é que Saudade é a única coisa que não tem remédio por aqui, em mim. Quando estou aqui sinto falta de quem está lá. Quando lá, sinto falta de quem está aqui... Não tem jeito!
Lindamente, não tem...