E sei que nesses últimos tempos as redes sociais foram inundadas de gente politizada. Mas essa politização toda não parece ser desse século. Remete muito à guerra fria, onde só existiam dois lados, dois extremos, duas realidades.
E, por mais que se digam politizadas, não aceitam opinião do outro. Esquecem do bom senso e da ponderação e tratam política como se fosse futebol.
Ou você é de direita, fascista, coxinha, votou no Aécio, ama FHC, é a favor da família, da pena de morte, da redução da maioridade penal, da intervenção militar, da terceirização. É contra o aborto, o mais médicos, visita íntima, casamento gay e legalização das drogas. Quer direitos humanos para humanos direitos. É classe média sofredora, pagadora de impostos. É elite branca. Deputado pra você é Bolsonaro. Revista é a Veja. Seu partido? O PSDB.
Ou você é de esquerda, comunista, votou na Dilma e acha que o Lula é inocente e o mensalão não existiu sim. É a favor do aborto, da legalização das drogas, do estreitamento de laços Brasileiros com repúblicas latino-americanas neo comunistas, direitos humanos para todos, casamento gay, Cuba, Mais médicos. É contra a redução da maioridade penal, a pena de morte e a terceirização. É preto, pobre, favelado, sofredor. Deputado pra você é Jean Willis. Revista é a Carta Capital. Seu partido? O PT.
Acontece que não é bem assim.
Existe o meio termo e não é por falta de opinião ou insegurança.
Quantos congressistas existem para nos atermos à opinião de apenas dois?
Quem disse que eu não posso ser a favor de pena de morte E do aborto? Eu quero que os gays casem e tenham suas famílias mas não sou obrigada a aceitar milhares de médicos despreparados para atender uma população tão carente de recursos. Eu não preciso ser preto, pobre e morar na favela para querer que meus direitos trabalhistas sejam preservados. Eu só quero defender a laicidade do estado mantendo a consciência de que o Brasil passa pelo maior escândalo de corrupção da sua história.
Eu sei ver o quanto o PT é corrupto e afundou a Petrobras e não aceito que digam "qualquer um que estivesse lá faria igual". Não é bem assim. Não é porque você votou na Dilma que tem que ser conivente com isso. E não é por criticar o PT que você, automaticamente, concorda com tudo e todos do PSDB.
As pessoas precisam entender que não é pecado mudar de opinião. Ninguém vai ficar de castigo por isso.
Sejam coerentes, pelo amor!
Como uma pessoa que prega a honestidade na sua vida defende o Jose Dirceu de qualquer coisa?!
Enfim, eu só queria dizer que nas eleições meu candidato era o Eduardo Jorge. Viu? Nem Dilma, nem Aécio. Meu deputado estadual é do PSDB, escolhido pelo histórico de boa conduta e retidão de caráter. Minha deputada federal não se elegeu, mas meu voto foi pensando na paridade ideológica - não de todas-, de muitas ideias dela, do PPS.
O exercício da política não se restringe a meros compartilhamentos e idas a protesto. Temos que saber o que defendemos e o porque fazê-lo.