É comum de tempos em tempos bater um saudosismo em mim. Acho que em todo mundo.
Reler diários é mesmo engraçado. Às vezes da sensação de que não deveríamos cutucar o passado. Tem tantas coisas que eu descobri das Luizas que era... em 98... 2000... 2003... 2005... tão passional, tão irascível...
Dia desses abri um diário (bem) antigo de 1998 no qual eu escrevi quais eram meus planos para dalí 10 anos, 2008. E eles eram: Eu começaria a faculdade em 2004. Cursaria Jornalismo e me formaria em 2007. Meus cabelos seriam vermelhos e eu dedicaria 2 horas do meu dia aos exercícios físicos. Em 2008 moraria em Los Angeles, produzindo um documentário e preparando meu primeiro livro. E seria muito feliz, certamente.
Acho que naquela época se me dissessem que minha vida seria como é hoje eu debocharia!
O mais estranho não é nem o fato de ter entrado na faculdade de Engenharia Elétrica em 2006 (e em 2011 não estar formada ainda). O estranho é que me lembro de ter feito esses planos, todos eles, com todos detalhes... e tenho saudade do tempo em que os fazia. Talvez até tenha vontade desses planos ainda.
Hoje não consigo me programar para daqui 10 anos a não ser o óbvio: Sucesso profissional (engenharia?), ter uma casa, um carro e uma família feliz. O que é o plano óbvio de todo mundo. Ou pelo menos o desejo de todo mundo.
E parece que eu me tornei apenas mais uma na multidão... Ou eu fiquei menos criativa?
Sou tão diferente da Luiza de 1998 (e da Luiza que a Luiza de 98 programou pra mim em 2011). Com o passar dos anos eu me tornei previsível e tenho muito medo disso.
Será que o que faltou foi coragem?
Em qual momento passei de jornalista em potencial para uma quase engenheira frustrada?
Não... Talvez eu seja só uma estudante frustrada de engenharia, porque é a faculdade que me decepciona.
O fato é que, no alto dos meus 13 anos, acreditava que para ser feliz era preciso aceitar o que não é trivial. Que o diferente era a chave para independência... Que era preciso viver os sonhos ou pelo menos lutar por eles, por mais loucos ou distantes pudessem parecer. Nunca deixei de acreditar nisso, mas trilhei um caminho completamente diferente.
E agora, nessas minhas crises saudosistas, sinto falta de alguma coisa que se perdeu em algum lugar. Uma vida? Uma vocação? Um sonho...?
Sempre me questionei por que você fazia Engenharia. Apesar de considerá-la bastante capaz, não me parecia compatível com você. E pelo que parece, não estava muito errado em minhas percepções.
ResponderExcluirQuanto ao seu post, a pergunta que fica é: quando deixamos de ser criança e nos tornamos adulto? Em que momento desta transição, também chamada de adolescência, deixamos os sonhos de criança para trás e corremos atrás de ilusões? Quando abandonamos nossa essência para tentarmos ser aquilo que não somos? Quando perdemos o fio da meada?
É professor, o que eu não sei é se realmente perdemos o fio da meada... Será que correr atrás dos "sonhos" de adolescente é que não é perder esse fio?
ResponderExcluirEm algum momento eu realmente acreditei que a Engenharia pudesse me fazer feliz... só não sei quando foi isso... nem quando perdi isso...hehehe