Aí, nessas horas eu penso: ainda bem que as pousadas e hotéis de Angra estavam lotadas e/ou muito caras e não conseguimos alugar nada. Chegamos até cogitar Ilha Grande, aí, ainda bem, aqui em casa ninguém curte acampamentos, as únicas opções disponíveis na época.
Sinal de sorte, em um ano que começou bem agitado.
Superstição sempre foi meu forte. E sabe-se lá em que eu acredito, estou agradecendo a sorte de um começo de ano bem melhor que o final do passado.
...
Não estou tão ansiosa com a viagem quanto estava em relação à Londres, mesmo com a impressão que o mês passará voando. Ainda não comecei a arrumar as malas, não preparei nada e algumas pessoas ainda nem estão sabendo. Acho que estou com medo.
Medo de voltar e fazer do segundo semestre de 2010 tão imprestável quanto o de 2009.
Medo de morar em Budapeste e criar uma verdadeira ojeriza ao Brasil.
Porque os últimos 4 meses foram quase um pesadelo. Nunca me senti tão cheia de sentimentos ruins.
Raiva, incompetência, raiva...
Na faculdade foi terrível. Em São Carlos, na verdade. De acordar todo dia querendo ver o diabo pra fugir dos professores, da sala de aula, de um povo besta que me irrita pelo simples fato de respirar. De querer me isolar o dia inteiro (e as noites também) no meu quarto escrevendo devaneios em um diário velho. De acordar mal humorada todos os dias. TODOS os dias. De querer largar tudo.
Sabe? Não era preguiça. Não a física, não (só) aquela preguiça de segunda feira. Mas parecia preguiça de sair dalí, de ver gente.
Credo!
Não quero isso pra mim não. Não sou assim, vocês sabem! E não quero que 2010 seja assim!
Mas muitas coisas mudaram em mim. Pricipalmente padrões comportamentais.
Por exemplo: Sempre fui meio explosiva, de falar o que eu acho e arrumar brigas com Deus e o mundo por isso. Mas agora tá muito pior.
Antes era o comunismo, o Lula e os maconheiros que perturbavam.
Agora, até a companhia de outras pessoas me irrita.
Eu não tenho mais paciência pra nada. Nem pros amigos eu tive tempo esses tempos. Nem pra família. Nem pra nada. E também foi crescendo uma ira por tudo o que eu não tinha que aturar em Londres e aqui... não que eu tenha que aturar... mas antes... eu aturava mais fácil...
Odeio me explicar. Odeio dar satisfação. Odeio comer alface. Odeio que tomem conta da minha vida, que deem palpite. Odeio aquelas pessoas que fingem que tão torcendo e querem que você se ferre, sabe?
Odeio gente invejosa. Odeio quem reclama de tudo, o tempo todo. Odeio quem só ve o lado negativo das coisas. E odeio quem só vê o lado positivo.
As coisas são como elas são, oras!
Odeio quem não aceita ser mais feio, mais burro, mais gordo(ou magro) ou menos talentoso.
Odeio quem coloca a culpa nos outros por seus fracassos. Odeio quem vê o outro como gostaria de ser e sente raiva por isso.
Odeio todos aqueles que me deram um parabéns com aquela cara de "nossa, como você conseguiu o intercâmbio? você tem boas notas?"
Affe...
E quando eu tenho que me explicar que vou formar em 2012?!?!
Ahh... eu quero morrer com isso...
Quase tanto quando me perguntam se eu "aprontei" muito pela Europa!
Eu posso dizer que não... ou posso dizer que sim e isso é tudo que saberão, caramba! Que inferno!!!
Cheguei à conclusão (nada brilhante por sinal) que como quero me afastar de tudo isso aí que odeio é natural me afastar de quase todas as pessoas que conheço. (To fazendo "A" limpa no orkut e msn).
E mesmo assim, com todo esse ódio, eu me basto. Não vivo no mundo de Alice nem faço o jogo do contente da Pollyana. E é mais fácil deitar a cabeça no travesseiro e dormir...
Então vou me agarrar ao "kit festas" final de ano (saúde, paz, prosperidade) e fazer o meu 2010 alheio à olho gordo e outros sentimentos provincianos. E é só nisso que tenho pensado ultimamente!!!
.!
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