terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Aahh... o amor... a liberdade...!

Sempre fui autora de mim. E me pegar perdendo o chão por qualquer causa me deixa louca. Eu não admito isso. Vez em quando, é claro, me entrego a voos verticais e outras venturas. Mas não é da minha natureza esperar que me dêem liberdade. Não espero pelo pouco que há de essencial na vida. Sendo liberdade uma delas, eu mesma me concedo.

E ser livre me afasta do amor. Pelo menos esse amor cantado em rimas e proclamado em prosas aos quatro ventos, cheio de códigos e regras, por quem se prende ao ideal, ao literário. O que sinto está longe de encurtar distâncias e secar oceanos. Se fosse pintura não seria da Vinci nem Michelangelo. Talvez uma Tarsila, incompreendida e notória.

Para quem procura por paixão, descontrolada, absoluta... Penso que procura o trivial, o vício, o amor literário. Então, agradeço por desprender-me assim. O que tenho a oferecer não é cego, não é ébrio. Dou-me ao luxo da calmaria. E, por assim dizer, guardo tudo comigo.

Meus sentimentos independem de mim e não me tiram a independência.

Tanta liberdade soaria como desculpas esfarrapadas de jovem aventureira. Seria risível, até, vendo-me anos atrás, tão possessiva quanto fosse possível. Não sou mais assim. Esqueço datas, descrevo sensações.

Sem almoços aos domingos, reuniões familiares ou jóias no anular. Tenho muito mais do que isso. E, melhor, tenho para mim.

E o meu amor é tão urgente e belo que poderia sim ser o ideal... mas ha tantos clichês a vencer que prefiror dedicar meu tempo todo ao amar. Ainda que em memórias e saudades. Esta distância, maldigo-a, impede-me de dividir contigo todas estas palavras, baixinho, na tua boca. Pequenos segredos, só nossos. E mesmo com oportunidade não o faria. Beberia mais um copo de fel... para então seguir.

Mas, se for verdadeiro (eu sei que é), ha de bastar, esse sentimento. Porque o que não é tudo pode ainda ser tanto que quase infinito.

Amo, do meu jeito, e sou livre... estando sua.


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