terça-feira, 20 de outubro de 2009

Uma idéia (nada) democrática

Eu não posso votar nas eleições para reitor da USP. Ainda bem!

Sabe porquê?
Eu não conheço o trabalho de nenhum dos candidatos nem suas propostas e ou passado político - estudantil e não tenho argumentos suficientes que façam escolher ou um ou outro.
Tudo bem que este é um problema relativamente fácil de resolver. Convenhamos que essa ignorância eleitoral é culpa minha pois as proposta foram devidamente apresentadas e divulgadas cabendo a mim ler e julgar. Foi puro desinteresse mesmo.

O problema é que igual a Luiza aqui existem vários. E esses vários são maioria.
E não é um descaso só porque não temos o tal do direito de exercer a democracia na Universidade.
De certa forma, os que estão lá, com poder de voto, com o poder de decidir por mim são os que têm conhecimento de causa. São os que podem decidir por mim e melhor do que eu até.
São pessoas diretamente envolvidas com a política USPiana. E se a palavra final é do governador melhor ainda. O eleito será aquele com mais afinidade com o maior chefe de estado, e, portanto, com mais poder de negociação.

Contra-mão da Democracia?
A liberdade do ato eleitoral, posso prever, seria um completo desastre.
Se o candidato fosse um professor, por exemplo. Quantas pessoas que eu conheço não votariam nele só porque foram mal em sua disciplina, porque ele é um professor não tão camarada ou o contrário, votariam justamente porque ele deu aquele trabalho salvador no final do semestre???
E nem adianta falar que a elite intelectual Brasileira não faria isso porque é mentira.

O primeiro passo é esse: todo mundo pode votar. Aí, se todo mundo pode votar, todo mundo pode se candidatar. Então, em pouco tempo, teríamos aqueles mesmos neo-comunistas que lotam os Centro Acadêmicos de bla-bla-blás retóricos fazendo da Universidade um meio de vida fácil, como se já não o fizessem.

E se o eleito por diretas fosse da oposição ao governo do Estado? Alguma dúvida que repasse de verbas seria muito mais difícil e tornaria a maior Universidade Brasileira em mais um palco para disputas partidárias?

A Universidade não tem de ser democrática. Ela precisa ser funcional. Ela precisa dar retorno à sociedade. O Estado investe aqui para produzir os melhores profissionais do Brasil e conseqüentemente quer ver esse retorno no desenvolvimento por eles proporcionado - claro que não imediato - e por isso deve ser tratada como uma empresa, visando lucros.
Nenhuma Companhia bem sucedida escolhe seu presidente por voto direto dos funcionários.

Por enquanto eu apoio o sistema de eleição para Reitor e tenho orgulho de estudar na melhor Universidade - ainda que "não democrática" - do Brasil e trigézima oitava melhor do MUNDO.


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Um comentário:

  1. Se eu pudesse votar, confesso, provavelmente votaria em branco, exatamente pela minha ignorância.

    Entretanto, acreditar que a eleição atual da USP é boa, é fingir que a estrutura altamente hierárquica funciona perfeitamente.

    TODOS são sub-representados, não apenas os estudantes, mas também aqueles que seguem carreira na USP (professores e funcionários). Uma consulta à opinião dos estudantes e mais valorização do voto dos funcionários e professores já seria uma grande mudança.

    Concordo quando diz que a USP poderia se tornar palco de partidarização em caso de eleições puramente livres. A tendência seria que interesses pessoais sobrepujassem os interesses acadêmicos.

    Tenho apenas um pouco de medo quando diz "deve ser tratada como uma empresa, visando lucros". A universidade deve sim dar retorno à sociedade, às vezes a curto prazo, às vezes a longo prazo, mas sempre tentando mudar o status da sociedade para algo melhor. Uma empresa tem apenas a necessidade de satisfazer o seu consumidor.

    Em resumo: não acredito que eleição direta seja a melhor, mas tenho convicção que a eleição atual precisa ser mudada.

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